Contexto Histórico


No Sul da Península Ibérica encontra-se a Faixa Piritosa Ibérica que se estende por 250kms, desde Alcácer do Sal a Sevilha. Corresponde a uma importante jazida mineral de pirites remontando a sua formação a 350 milhões de anos.

Sabe-se que a exploração mineira é anterior à presença Romana em locais como Aljustrel, São Domingos e Rio Tinto (este último em Espanha).

Complexo da Mina do Lousal

No século XIX com a Revolução Industrial a actividade na região intensificou-se especialmente na extracção de pirite.

A pirite (ou pirita) é um dissulfeto de ferro com brilho metálico num tom amarelo/dourado, é também por isso conhecida como o "ouro dos tolos". Verdadeiramente na sua composição é possível encontrar ouro em pequeníssimas quantidades, assim como arsénio, cobalto e cobre.

O principal produto obtido deste mineral é o dióxido de enxofre essencial para a produção de ácido sulfúrico. Até aos finais da década de 50 do século XX a produção de enxofre era importante devido à sua aplicação na indústria química como fungicida, ácido sulfúrico para baterias, no fabrico de pólvora e na vulcanização da borracha, entre outros.

Nas minas alentejanas a concentração de enxofre era em média de 47% aproveitando-se pelo menos 40%. Daqui também se extraía o cobre ainda que em quantidades mínimas (3 a 5%) e ainda ouro e prata em volumes ínfimos.

Canal Caveira, Lousal, Aljustrel, Neves-Corvo, Orada e São Domingos são algumas das minas mais importantes cuja exploração esteve concessionada aos ingleses e franceses. Durante a Revolução Industrial o produto da extracção era exportado para o Reino Unido, consequentemente ávido de minério.

Corta de São Domingos

Em 1867 das 170.900 toneladas de minério metálico produzidas em Portugal, 167.000 eram provenientes da mina de São Domingos. Cerca de 5.000 toneladas seriam de cobre, o correspondente a metade do produzido por todas as minas da *Grã-Bretanha nesse mesmo ano. Nesta altura São Domingos ultrapassava toda a província de Huelva propondo-se fornecer cerca de 200.000 toneladas de pirite, o que correspondia a dois terços das necessidades da indústria química inglesa.

A actividade foi registando oscilações sobretudo durante o período da Primeira Grande Guerra, regressando à exploração intensiva na década de 1930 por influência do fabrico de adubos. Assiste-se depois ao declínio gradual do valor comercial da pirite provocado pela produção a baixo custo de enxofre na indústria de extracção de petróleo. As principais jazidas chegam também à exaustão e com tudo isto reduz-se gradualmente a actividade mineira até ao fecho da última mina em actividade em Espanha no ano de 2003.

Desde então tem-se assistido a uma subida de valores nos mercados de metais o que permitiu a retoma gradual da actividade mineira. Actualmente (2019) existem duas minas em actividade na Faixa Piritosa Portuguesa: Neves-Corvo (2004) e Aljustrel (2008). A viabilidade económica destas minas depende actualmente da extração de cobre, zinco, chumbo e, nalguns casos, de metais preciosos como o ouro e a prata.