Tramagal, vila convívio


Tramagal

Plantado à beira Tejo é conhecido como Vila Convívio devido às suas numerosas associações e colectividades (cerca de 19). A este facto não será alheio a história e legado da Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF).

A MDF que operou durante mais de cem anos está de facto indubitavelmente ligada à época mais próspera da vila.
Criada pela mão de Eduardo Duarte Ferreira, um humilde ferreiro que em 1874 se estabelece pela primeira vez com uma pequena oficina denominada como "A Forja".

Desde então e até 1948, Eduardo constrói o seu império deixando para seus filhos a próspera Metalúrgica Duarte Ferreira com oitocentos trabalhadores.

Devem-se a Eduardo Ferreira alguns factos importantes.

É com ele que se cria o primeiro sistema de previdência do país (1927) que concede pela primeira vez direitos aos operários e seus familiares.

Ciente da necessidade de bem-estar dos seus trabalhadores funda em 1901 a Sociedade Artística Tramagalense (ainda hoje em dia em funcionamento) que sai a tocar o hino a 1 de Maio para assinalar a data. Doravante, 1 de Maio passa a feriado e dia de festa na MDF.

No período que a fábrica esteve a laborar a população da vila aumentou exponencialmente passando de 1510 habitantes (1890) a 5167 (1981). Em 2011, tinha cerca de 3500 habitantes.

No seu auge a MDF chegou a empregar 95% de toda a população do Tramagal.

Em 1964 já sob administração dos descendentes do fundador a MDF inaugura a linha de montagem de veículos militares Berliet fornecidos ao exército português (esta linha irá operar durante 10 anos).

Com o final da Guerra Colonial a fábrica perde a sua principal fonte de receita, o que a coloca em sérias dificuldades financeiras. A empresa vive desde então em aperto tentando negociar várias soluções que possibilitem a sua sobrevivência.

Infelizmente as greves, manifestações e salários em atraso culminam no fim da empresa e na penhora de todos os bens em 1994.

Durante todo o tempo que esteve a laborar a MDF produziu um leque variado de objectos e ferragens, desde charruas agrícolas, a artigos domésticos (como loiça esmaltada) e camiões militares.

Eduardo Duarte Ferreira

Teve três filhos, todos rapazes a quem deixou o trabalho de uma vida.

A esposa deixou-o subitamente em 1911. Estava então a construir uma casa que por desgosto não chegou a acabar.

Tinha uma imagem de marca, um chapéu-de-chuva negro do qual nunca se separava. De Inverno protegia da chuva e de Verão do Sol, servindo mais tarde também de bengala.

Recebeu em 1927 a Comenda da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial época em que a MDF era uma das maiores unidades de produção do país.

Dedicou-se nos seus últimos anos de vida, à agricultura.

Ficou de cama aquando uma gripe e morre em 1948 com 92 anos de idade na mesma casa inacabada onde morreu sua esposa.

Monumento A Forja

A 1 de Maio de 1980, por altura dos 100 anos da primeira forja de Eduardo Duarte Ferreira foi inaugurado um monumento comemorativo da autoria do artista plástico Charters d'Almeida.

Trata-se de um memorial que exibe alguns utensílios de ferreiro reconstituindo aquilo que terá sido a oficina "A Forja" de Eduardo Duarte Ferreira.

Museu MDF

Em 2017 abre o museu MDF nas antigas instalações dos escritórios da Metalúrgica. Fica instalado no piso térreo do edifício estando reservado o piso superior para um futuro espaço cultural e de conferências.

O museu recebe o Prémio de Museu do Ano em 2018, cerimónia da Associação Portuguesa dos Museus com a presença do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.

Miradouro da Penha

Homenagem a Duarte Ferreira na forma de miradouro com vista privilegiada sobre o Tejo, foi pensado e desenhado pelo arquitecto Keil do Amaral.

Conta com um busto do empresário onde se pode ler a frase célebre: "Eu, menos que ferreiro, se tiver saúde, não deixo de ser. Se puder ser mais alguma coisa, porque não tentar consegui-lo?”.

Dentro das festividades a 1 de Maio enquadra-se também uma cerimónia de homenagem junto ao busto que vai contando com a participação dos descendentes do fundador.