Do Danúbio a Bystrica
Dia 8, Budapeste
Acordámos a hora boa para arrumar a tralha. O Miguel já devia estar a pé há mais de uma hora, andava a bater mal com os horários. Toca de enfiar tudo nas malas para levá-las amontoadas lá para baixo naquele elevador diminuto até à garagem. Seguimos a instruções. Fechámos a porta do apartamento (verificando bem previamente, se não tinha ficado nada nosso lá dentro), metemos a chave na caixa de segredo, fechámos aquilo e baralhámos a combinação. Na garagem pagámos o estacionamento ao tipo que lá estava. O homem não falava inglês, mas era simpático e o preço já estava combinado, não houve qualquer dificuldade.
Próximo destino Eslováquia. Um bom bocado de curiosidade no que iríamos encontrar pela frente. Tínhamos todos a ideia que as coisas por lá estariam um bocado mais “atrasadas” e que os sinais da Era soviética seriam por demais evidentes.
O dia estava bom, nada daquelas chuvadas do dia anterior. Fresco ainda, mas o Sol já raiava. Demos umas voltas por aquelas ruas de prédios altos até chegar à beira rio, daí para o outro lado pela ponte das correntes. Havia uma paragem planeada para tirar uma última foto ao Parlamento, mas não se conseguiu arranjar lugar para as motas e seguimos para Norte para a saída da capital. A ideia era tentar seguir o Danúbio até à fronteira da Eslováquia. Mas nem sempre se vai junto a este e a saída de Budapeste é feita por uma via-rápida.
Ainda não tínhamos comido nada e não estava fácil encontrar lugar para tomar um pequeno-almoço. O Miguel já devia estar a bater mal, o homem não se aguenta muito tempo de manhã sem açúcar e café! Consegui enxergar o que me pareceu um supermercado e saímos para lá ir espreitar. Era mesmo um supermercado pequeno. Mas melhor, ao lado deste existia uma espécie de padaria e pastelaria que também servia café. A rapariga que lá estava era bem simpática e embora não falasse quase nada de inglês esforçou-se no serviço e acabámos por tomar um pequeno-almoço bem satisfatório e a bom preço numa pequena esplanada improvisada em frente à padaria.
Voltámos à via-rápida que foi estreitando e transformando-se em estrada secundária. Próximo de Budapeste notava-se algum trânsito, mas nada de especial. Depois começou a surgir vegetação densa à nossa volta e umas quantas vivendas que não mostrando grandes luxos estavam bem acabadas. Passámos por uma série de pequenas localidades e já mais adiante começámos a avistar água do nosso lado direito através das árvores. Estávamos, como previsto, a rolar junto ao rio numa estrada bem agradável pelo meio do arvoredo.
Fizemos uma paragem rápida junto a umas casas, o Miguel queria tirar umas fotos ao rio.
A passagem para a Eslováquia seria feita sobre o Danúbio que a Norte serve de fronteira. A ideia seria ir até à cidade de Esztergom (ainda do lado húngaro) fazer uma breve paragem junto à enorme Basílica da Abençoada Virgem Maria e atravessar a ponte sobre o rio que nos leva à Eslováquia.
Este templo é considerado o maior edifício público na Hungria com 5.600 metros quadrados de área interior e um tempo de reverberação de 9 segundos!
Queríamos também tirar uma foto à placa de fronteira para marcar o momento.
O problema é que a placa está pendurada ao meio da ponte, de maneira que passou-nos logo a ideia. Estávamos também à espera de algum controlo fronteiriço por causa da situação recente de refugiados, mas a verdade é que nada… nem sequer um polícia.
A partir daqui iríamos sempre para Norte, atravessando a Eslováquia de ponta-a-ponta. A primeira impressão foi boa. Entrámos por uma região rural interessante com campos a perder de vista. A agricultura por aqui parece ser intensiva. Viam-se hectares e hectares de área cultivada. De vez em quando passávamos por uma aldeiazita. Mas tudo o que víamos não estava assim muito recuado no tempo. As construções eram simples e práticas, sem qualquer tipo de breloque, num estilo industrial a relembrar a influência comunista. Aqueles telhados em chapa de zinco e paredes em tons fabris de beges, azuis, cinzentos, acabavam por ter algum charme.
Os carros aqui não são muito diferentes da Hungria: chaços é raro vê-los e a maioria são Skodas com 5 a 10 anos (não fosse a fábrica estar já aqui ao lado, na República Checa). O pessoal na estrada anda certo, e por aqui os faróis têm de andar acesos também durante o dia. Ah… vê-se pouca mota na estrada, e o que aparece não tem matrícula eslovaca.
Muito agradável este troço pelo Sul da Eslováquia. Soube muito bem fazer esta estrada atravessando esta região campestre, plena de vegetação rasteira. Víamos áreas cultivadas a perder de vista, o pessoal aqui é do trabalho. O cenário começou a mudar quando nos aproximámos de Banska Bystrica, sexta cidade mais populosa da Eslováquia. Atenção que este país é pequeno, cerca de 5 milhões de habitantes (metade de Portugal). Bystrica terá cerca de 80 mil, qualquer coisa aproximado à população de Torres Vedras.
Estava na hora do almoço e tínhamos uma paragem planeada no centro de Bystrica, assim resolvemos juntar o útil ao agradável. Sentámo-nos numa esplanada da praça, e adivinhem o que era? Mais um restaurante italiano, claro!... Chiça… é que já farta… Não há por aí um bom bacalhau?! Ou um bife com ovo a cavalo, caraças?!
Eu tentei variar dentro do invariável, e pedi um risotto… No interior o restaurante tinha um ar modernaço, mas preferimos ficar cá fora para apreciar o sítio.
A praça era bem bonita, com casas típicas de dois ou três andares em redor, e no topo uma igreja com uma torre generosa.
Na praça estava também instalado um fontanário impressionante de pedra junto a um obelisco negro erigido em memória dos soldados russos e romenos que sucumbiram na libertação da cidade em 1945.
Veio a comida, e foi uma agradável surpresa. Os preços dos pratos eram manifestamente baixos, mas o que chegou à mesa não reflectia nada disso. Tudo bem servido e confeccionado. Evidentemente para ficarmos totalmente saciados veio também tiramisu e uns cheesecakes de limão de sobremesa, que estavam ao nível do restante. Creio que terá também terá sido das melhores sobremesa que nos chegou aos dentes durante toda a viagem.
Entretanto o tempo estava a mudar e parecia que vinha trovoada a caminho.
Bystrica está mais ou menos encalhado junto a uma cordilheira montanhosa conhecida por Baixo Tatra (700 a 800 metros de altitude). Baixo porque claro está, há também o Alto mais a Nordeste e que se divide entre Eslováquia e Polónia. Íamos de seguida atravessar o Baixo Tatra. O Alto estava fora de rota, não nos dava jeito por lá passar.
A paisagem estava a mudar, vegetação mais alta amontoada nas colinas à nossa volta. Não seria propriamente o encanto de alta montanha, mas era um cenário muito agradável também. A estrada era divertida e ia alternando com uns troços de curvas rápidas e alguma estrada a direito. Volta não volta, íamos vendo um ribeiro à beira da estrada, e sobre este umas pontes de madeira engraçadas. Parámos numa para bater um retrato.
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